beiji pro algoritmo

Acordei cantarolando Cazuza. "É que eu preciso dizer que te amo, te ganhar ou perder... É que eu preciso dizer que te amo tanto". Dei o play na canção enquanto ainda preparava meu café da manhã. Depois o algoritmo começou a sua própria playlist aleatória com músicas românticas que ele achou que cairia bem. E preciso confessar que o algoritmo mandou bem demais. Pausei a playlist para seguir com as outras atividades do dia. Era quase meia noite quando lembrei que não tinha colocado o feijão de molho pro dia seguinte. Estava assistindo série. Fui catar o feijão. "Catar feijão" é uma expressão estranha. Separar, talvez seja melhor. Ou selecionar. Enfim, não sei se a hora me permitia gastar tempo com esses questionamentos. Fui lá separar. As luzes da casa já estavam quase todas desligadas. Todos já haviam se recolhido. Peguei o feijão e dessa vez fui fazer a separação ouvindo música. Retornei o play na mesma playlist. Estava curtindo tanto que resolvi até a tomar um banho pra dormir só para ficar mais um tempo ouvindo música. Fui pro quarto. Óleo de maracujá no corpo. Confesso que gostei mais do efeito dele no cabelo. Mas passava o óleo olhando no espelho e observando a luz baixa e me mexendo devagar. A playlist tinha músicas mais lentas. Lembrei que não sei mais há quanto tempo não saio a noite, lembrei das noites embaladas das músicas dos shows que ia. Saudade bateu forte. Começou a tocar Deusa do amor. Uma massagem nos pés com óleo essencial. "Vem pra cá deusa do amor, vem me embalar neném, parapapara paraaa" Nessa noite dormi bem.

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